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O Navegador da OpenAI: O Fim da Internet Como a Conhecemos?

18 de julho de 2025
722 palavras, tempo de leitura de 4 minutos.

Introdução

E aí, pessoal! Beleza?

Por mais de 20 anos, a internet funcionou com uma lógica simples: você pesquisa no Google, clica em um link, visita um site, e esse site ganha dinheiro com sua visita (seja com anúncios, assinaturas, etc.). A OpenAI está prestes a explodir essa lógica.

Nas próximas semanas, a empresa deve lançar seu próprio navegador. A promessa é linda: uma experiência de navegação fluida, onde você pergunta e a IA te dá a resposta pronta, sem que você precise sair da interface de conversa. A realidade, no entanto, é um ataque frontal ao coração da internet: a captura definitiva do tráfego.


A ‘Homepage do Mundo’: O Plano Mestre da OpenAI

O ChatGPT, com seus 500 milhões de usuários semanais, já é quase a página inicial da internet para muita gente. Com um navegador próprio, a OpenAI quer oficializar isso. O plano é controlar todo o ciclo: da sua pergunta até a entrega da informação, sem intermediários.

O mais irônico? Eles vão construir esse navegador sobre o Chromium, a base de código aberto criada pelo próprio Google, para desafiar e, quem sabe, destruir o Chrome. É tipo usar as Pedras do Infinito do seu inimigo contra ele mesmo.


‘Valor sem Visita’: O Pesadelo dos Criadores de Conteúdo

É aqui que a coisa fica sinistra. O novo navegador da OpenAI, integrado com seu “agente” de IA, não vai só te dar um resumo da sua pesquisa. Ele vai ler os sites por você.

Imagina o seguinte: você pede ao browser “qual a melhor receita de bolo de chocolate?”. Em vez de te dar uma lista de links, ele vai ler os 10 melhores sites de receita, comparar os ingredientes, analisar as avaliações e te entregar a receita perfeita, ali mesmo, na tela do chat.

O resultado? Você teve a informação que queria (valor), mas nunca visitou o site que criou a receita. É o “valor sem visita”. E para os sites, blogs, jornais e qualquer criador de conteúdo que depende de tráfego, isso é o apocalipse.

É um pacto faustiano: quanto melhor e mais bem estruturado for o seu conteúdo, mais fácil será para a IA “roubá-lo” e entregá-lo de bandeja para o usuário, tornando seu site original completamente irrelevante.


A Guerra pelo Trono: Talentos de 100 Milhões de Dólares

Essa não é uma briga pequena. A OpenAI já contratou ex-chefões do Google Chrome e até demonstrou interesse em comprar o próprio navegador Chrome se o Google for forçado a vendê-lo por questões de monopólio.

A Meta (dona do Facebook), por sua vez, contra-ataca contratando gênios da IA, como o brasileiro Mat Velloso, com salários que ultrapassam os 100 milhões de dólares. A guerra não é mais por quem tem o melhor app, mas por quem vai controlar a infraestrutura fundamental da próxima internet.


E Nós? E o Brasil?

Se gigantes como Reuters e o Wall Street Journal já estão vendo seu conteúdo ser usado com retorno mínimo de tráfego, imagine o impacto para os criadores de conteúdo no Brasil e na América Latina. Sem o poder institucional para fechar acordos bilionários, o risco é que a nossa produção de conteúdo seja simplesmente “drenada” pelas IAs, sem nenhuma compensação. A desintermediação pode ser silenciosa e total.


A Batalha Pela Realidade Começou

A OpenAI está propondo um novo mundo. Um mundo onde a informação não é mais “buscada” em diferentes fontes, mas sim “mediada” e entregue por um único e poderoso agente de IA. Do ponto de vista do usuário, pode parecer o auge da conveniência. Do ponto de vista da pluralidade, da economia criativa e da liberdade de informação, pode ser uma distopia.

Estamos testemunhando o início de uma nova era, uma que redefine o próprio conceito de “navegar na internet”.

E aí, o que você acha? É o futuro inevitável e uma melhoria na nossa vida digital, ou é um monopólio perigoso que vai destruir a internet que a gente conhece? Comenta aqui embaixo, essa discussão é uma das mais importantes do nosso tempo!


Referências

MARIA, Sérgio. O browser da OpenAI e o fim da Internet como a conhecemos [Coluna]. TecMundo, 17 jul. 2025. Disponível em: https://www.tecmundo.com.br/mercado/405779-o-browser-da-openai-e-o-fim-da-internet-como-a-conhecemos-coluna.htm. Acesso em: 18 jul. 2025.